IA faz disparar a procura mundial por chips de memória – uniquetechmz
Os centros de dados dedicados à inteligência artificial absorvem uma fatia cada vez maior da produção de memória. O resultado é escassez, preços em máximos e equipamentos mais caros para consumidores e empresas.
A corrida à inteligência artificial (IA) está a redesenhar o mercado mundial de semicondutores, e a memória é hoje um dos pontos mais apertados da cadeia. Em setembro de 2026, o setor atravessa uma escassez que dura há vários trimestres, alimentada sobretudo pela procura de memória de alta largura de banda (HBM), o tipo de memória empilhada que equipa os aceleradores de IA.
Uma fatia cada vez maior para os centros de dados
Segundo a Bloomberg Intelligence, os centros de dados já representavam cerca de metade do consumo mundial de DRAM em 2025, contra 32% cinco anos antes. A projeção é que os servidores de IA ultrapassem os 60% do consumo até 2030, em parte devido aos agentes de IA, programas concebidos para funcionar de forma contínua e concluir tarefas com pouca supervisão humana.
Cada chip de HBM tira espaço a outros
Fabricar HBM exige bastante mais capacidade por bit do que a memória convencional. A Samsung, a SK hynix e a Micron, que controlam mais de 95% da produção mundial de DRAM, segundo a IDC, têm por isso redirecionado fábricas para este produto, mais rentável. A Micron terá indicado uma relação de cerca de três para um entre a capacidade necessária para HBM e para DDR5, o que significa que cada aumento da produção de HBM reduz diretamente a oferta de memória para computadores e telemóveis.
A produção de HBM de 2026 está, na prática, esgotada, em grande parte ao abrigo de contratos de longo prazo com os grandes fornecedores de computação em nuvem, dispostos a pagar mais para garantir abastecimento.
Preços em níveis sem precedentes
A TrendForce mediu subidas de 93% a 98% nos preços contratuais da DRAM convencional no primeiro trimestre de 2026, face ao trimestre anterior, o movimento mais rápido de que há registo. A Bloomberg indica que, em alguns casos, os preços são hoje mais de dez vezes superiores aos de janeiro de 2025. Também a memória NAND, usada no armazenamento de fotografias, jogos e ficheiros, está a encarecer depressa.
O que muda para quem compra
A pressão chega aos equipamentos. A CNBC noticiou em março que grandes fabricantes estavam a receber apenas 50% a 66% dos volumes de memória que tinham encomendado. A IDC alerta que a escassez pode prolongar-se até 2027 e traçou cenários de risco para os mercados de smartphones e de computadores.
Os analistas antecipam equipamentos mais caros e, nas gamas média e de entrada, modelos lançados com menos memória RAM do que os antecessores, para manter os preços. O problema estende-se a outros setores: fabricantes como a Honda já apontaram o aumento do custo da DRAM e da NAND como um fator de pressão sobre as margens.
Até quando?
Construir novas fábricas leva anos. Os grandes projetos de HBM da SK hynix apontam para produção em volume apenas entre 2028 e 2029. A maioria dos analistas não espera uma normalização dos preços antes de 2027 e, segundo a imprensa especializada, o presidente executivo da SK hynix avisou em julho que a escassez poderá prolongar-se para lá de 2030.
Para as empresas, o conselho mais repetido é planear as compras com antecedência e contratar fornecimento, em vez de recorrer ao mercado à vista, onde os preços são mais voláteis.


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