5G entra em nova fase em Moçambique – uniquetechmz
Moçambique entrou numa nova etapa na implementação da tecnologia móvel de quinta geração. O Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), que funciona como regulador do setor, entregou a 23 de junho licenças de utilização do espetro radioelétrico às três operadoras móveis do país, a estatal Tmcel, a Vodacom Moçambique e a Movitel. As licenças cobrem também a expansão das redes 4G.
A cerimónia decorreu durante a 5.ª Conferência Nacional das Comunicações, em Maputo, um dia depois de o Presidente da República, Daniel Chapo, ter anunciado o arranque da implementação do 5G. O chefe de Estado enquadrou a medida na estratégia de transformação digital e na ambição de fazer do país um polo regional de inovação tecnológica.
Da candidatura às licenças
O processo começou a 17 de abril, quando o INCM realizou a sessão pública de abertura das propostas das três operadoras. Em vez de um leilão, o regulador optou pela consignação administrativa do espetro, uma escolha que lhe permite ligar a atribuição das frequências a compromissos de cobertura e de serviço.
Estão em causa as faixas dos 700 MHz, dos 2,6 GHz e dos 3,5 GHz, combinadas para equilibrar a cobertura do território com a capacidade e a qualidade das redes.
Metas até 2027 e 2030
Segundo o Presidente, o 5G deverá estar disponível até 2027 em todas as capitais provinciais, nas zonas económicas especiais e nos principais destinos turísticos. A cobertura alargar-se-á depois a outras áreas de elevada densidade populacional, e o acesso à banda larga deverá ser reforçado até 2030 em todos os distritos e postos administrativos. Chapo estimou que as iniciativas anunciadas beneficiem cerca de 4,4 milhões de pessoas.
O pacote associado às licenças inclui ainda a expansão do 4G em zonas rurais, a cobertura de instituições públicas e a disponibilização de cerca de 700 mil telemóveis subsidiados, entre modelos preparados para 4G e para 5G. O Diário Económico refere junho de 2027 como prazo para o 5G chegar às capitais provinciais.
O 5G já existe em Moçambique, mas em escala reduzida.
A Vodacom oferece serviço comercial em partes de Maputo e de outras cidades. O relatório de regulação de 2024 do INCM contabilizava apenas 31 antenas 5G, todas da Vodacom, contra milhares de antenas 4G em cada uma das três operadoras.
As operadoras preparam-se
A Movitel foi a primeira a mostrar o que pretende vender. Na FACIM 2026, a principal feira comercial do país, apresentou soluções empresariais baseadas em 5G, entre elas o acesso fixo sem fios, redes 5G privadas, câmaras com inteligência artificial, sistemas de transporte inteligentes e ferramentas de gestão portuária.
As três empresas admitiram que o 5G exigirá investimentos relevantes em redes, equipamentos e capacidade operacional. A Tmcel atravessa uma fase de reorganização e recuperação, mas considera que a entrada no 5G é indispensável para acompanhar a evolução tecnológica e reforçar a competitividade.
O desafio para lá das capitais
A própria Vodacom alertou que a baixa penetração de telemóveis inteligentes continua a ser um dos principais obstáculos à massificação do 5G. Analistas do setor sublinham que o desafio vai além das capitais provinciais: exige infraestruturas robustas, aparelhos acessíveis, investimento sustentável e políticas de inclusão digital. Sem essa articulação, o risco é o 5G ficar concentrado em cidades, zonas industriais e polos económicos, enquanto localidades sem eletricidade e outros serviços básicos continuam fora da economia digital.
Responsáveis do setor garantiram, por isso, que será elaborado um plano para que as zonas rurais não fiquem de fora, e as operadoras assumiram o compromisso de continuar a reforçar o 4G, que continuará a ser a principal porta de acesso à internet para a maioria da população.
No plano regional, Moçambique e Angola pretendem ligar Nacala e Lobito por cabo, um projeto que poderá posicionar o país como corredor digital entre o Índico e o Atlântico.


Publicar comentário