Moçambique avança com a estratégia “Internet para Todos” – uniquetechmz

Moçambique tem vindo a dar passos concretos na execução do programa “Internet para Todos”, lançado em março de 2025 pelo Governo e implementado pelo regulador, o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), através do Fundo do Serviço de Acesso Universal. O objetivo é democratizar o acesso à Internet em todo o território até 2030.

19,8%penetração da Internet (UIT, 2023)

78,2%penetração da telefonia móvel (UIT, 2023)

95%cobertura do território prevista para 2030

300localidades abrangidas pelo concurso do PADIM

Metas para 2030

O programa prevê elevar a penetração da telefonia móvel para 80%, estender a cobertura a 95% do território nacional e garantir uma disponibilidade de rede de 99%. O desafio é considerável: as estimativas internacionais apontam para que cerca de 80% dos moçambicanos continuem sem utilizar a Internet, sobretudo nas zonas rurais.

Banda larga para o interior

Em janeiro de 2026, o Ministério das Comunicações e Transformação Digital lançou, em coordenação com o INCM, um concurso público para expandir e melhorar a cobertura em 300 localidades periurbanas e rurais. O projeto é financiado pelo Banco Mundial, no âmbito do Projeto de Aceleração Digital de Moçambique (PADIM), e visa levar comunicações de alta velocidade e serviços de voz a comunidades que ainda não dispõem deles. As propostas podiam ser entregues até 25 de fevereiro.

Já em outubro de 2025, o INCM anunciara a instalação de 60 novas estações móveis em nove províncias, em parceria com a Vodacom Moçambique, com redes 2G e 4G, centros multimédia com Wi-Fi público, sistemas de energia solar e serviços de telefone público pré-pago.

Uma plataforma para ver onde falta rede

A 22 de julho de 2026, o INCM apresentou um portal nacional de banda larga. A plataforma pretende dar mais transparência à cobertura das redes móveis, apoiar o planeamento da expansão das infraestruturas ao identificar zonas sem cobertura ou mal servidas, e permitir que os utilizadores comuniquem diretamente ao regulador problemas de cobertura.

5G entra na equação

Em abril de 2026, o INCM abriu o concurso para a atribuição de espectro nas faixas de 700 MHz, 2,6 GHz e 3,5 GHz, tendo as licenças sido atribuídas à Tmcel, à Vodacom Moçambique e à Movitel. Na abertura da 5.ª Conferência Nacional das Comunicações, em junho, o Presidente Daniel Chapo comprometeu-se a levar o 5G a todas as capitais provinciais, zonas económicas especiais e principais destinos turísticos até 2027, mantendo a meta de cobertura de banda larga em todos os distritos até 2030.

Os operadores ficam sujeitos a obrigações de cobertura, qualidade de serviço, expansão de infraestruturas e inclusão digital.

À margem do encontro, Moçambique e Angola assinaram dois memorandos de entendimento em comunicações, TIC e meteorologia, e o Presidente confirmou que o projeto do cabo submarino Nacala–Lobito se encontra em fase de conceção.

O desafio da adoção

Os analistas sublinham que ter cobertura não garante, por si só, a utilização da Internet: o acesso depende também do preço dos serviços, do custo dos equipamentos, da energia e das competências digitais. É nesse equilíbrio entre infraestrutura e adoção que se jogará o sucesso da estratégia até 2030.

Publicar comentário